A presença feminina no movimento sindical brasileiro tem apresentado avanços importantes nas últimas décadas, mas ainda enfrenta obstáculos estruturais para alcançar igualdade plena nos espaços de decisão. A avaliação é do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São José do Divino (SINDSERM SJD), que defende o fortalecimento da participação das mulheres nas entidades sindicais como forma de ampliar a luta por direitos, equidade salarial e melhores condições de trabalho.
Dados recentes mostram que as mulheres têm ampliado sua presença no mercado de trabalho e também nas organizações representativas. Em 2019, a taxa de participação feminina na força de trabalho brasileira chegou a 54,3%, mas caiu para 48,1% em 2025, reflexo de fatores econômicos e sociais que ainda impactam a permanência das mulheres em atividades formais.
No campo sindical, a presença feminina é mais expressiva em setores como educação e serviços, enquanto áreas como construção civil e transporte continuam com participação majoritariamente masculina. Mesmo com esse crescimento, a ocupação de cargos de liderança sindical por mulheres ainda é considerada insuficiente.
Segundo o SINDSERM SJD, ampliar a presença feminina nas direções sindicais é fundamental para garantir que pautas específicas sejam debatidas com maior intensidade.
“Quando as mulheres ocupam espaços de liderança sindical, as discussões vão além das questões salariais e passam a incluir temas como igualdade de gênero, combate à discriminação, assédio no trabalho e valorização profissional”, destaca a entidade.
Outro fator que reforça a importância da representação feminina é a persistente desigualdade salarial. No Brasil, as mulheres recebem, em média, entre 19,4% e 20,7% menos que os homens, mesmo exercendo funções semelhantes.
Cenário no Piauí
No Piauí, alguns indicadores apontam avanços na participação feminina, especialmente na sindicalização. Em 2022, o estado registrou 22,5% de mulheres sindicalizadas, índice superior ao dos homens, que ficou em 16,2%.
Além disso, dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) indicam que a presença feminina em cargos de liderança sindical no país cresceu cerca de 12% nos últimos cinco anos, tendência que também se reflete no estado.
Entretanto, a ocupação de mulheres em espaços de poder ainda é considerada baixa. Na política estadual, por exemplo, apenas quatro das 30 cadeiras da Assembleia Legislativa do Piauí são ocupadas por mulheres. Nas eleições municipais de 2020, o estado elegeu 29 prefeitas entre os 224 municípios, o que representa menos de 13% das prefeituras.
Para o SINDSERM SJD, esses números demonstram que, apesar do avanço da participação feminina nas bases sindicais e no mercado de trabalho, a presença em cargos estratégicos de decisão ainda precisa crescer.
Desafios históricos
A trajetória das mulheres no movimento sindical também é marcada por barreiras históricas. Durante décadas, a organização sindical foi fortemente influenciada por uma estrutura predominantemente masculina, o que muitas vezes deixou de lado as discussões relacionadas à desigualdade de gênero.
Além disso, fatores como a cultura patriarcal e a dupla jornada de trabalho, que envolve responsabilidades profissionais e domésticas, ainda dificultam a participação ativa das mulheres em espaços de representação.
Fortalecimento da participação feminina
Para o SINDSERM SJD, ampliar a participação feminina no sindicalismo é um caminho essencial para fortalecer a luta coletiva e garantir políticas públicas mais inclusivas.
A entidade defende que sindicatos, movimentos sociais e instituições públicas invistam em formação de lideranças femininas, políticas de incentivo à participação e ações de igualdade de gênero dentro das organizações.
“O fortalecimento da presença feminina no movimento sindical não é apenas uma questão de representatividade, mas também de justiça social e de construção de um ambiente de trabalho mais igualitário”, destaca Joelda Cerqueira, presidente do SINDSERM SJD.
Apesar dos desafios, o avanço gradual da participação feminina indica uma mudança importante no cenário sindical brasileiro. Para o SINDSERM SJD, a ampliação dessa presença será decisiva para garantir que as demandas das mulheres trabalhadoras sejam cada vez mais ouvidas e transformadas em conquistas concretas.

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