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SINACSCER alerta para os desafios enfrentados pelas mulheres ACS e ACE no Brasil neste Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher



As mulheres que atuam como Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE) representam hoje uma das maiores forças da saúde pública brasileira. Presentes diariamente nos bairros, comunidades rurais e áreas periféricas, elas desempenham um papel essencial na promoção da saúde, prevenção de doenças e acolhimento da população. Neste Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher, celebrado em 28 de maio, o Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias (SINACSCER) chama atenção para os desafios enfrentados por essas trabalhadoras em todo o país.

Segundo dados do Governo Federal, o Brasil possui mais de 400 mil ACS e ACE em atuação. A categoria é majoritariamente feminina, com representação entre 70% e 77% de mulheres. Grande parte dessas profissionais também é formada por mulheres pardas e negras, que vivem nas mesmas comunidades onde trabalham e enfrentam diariamente os impactos das desigualdades sociais.

Além da responsabilidade profissional, muitas dessas agentes acumulam uma dupla jornada, conciliando o trabalho nos territórios com os cuidados domésticos e familiares. A sobrecarga física e emocional tem gerado reflexos preocupantes na saúde dessas trabalhadoras.

Estudos realizados no Brasil apontam que cerca de 40% dos agentes apresentam risco de desenvolver transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão. Casos de esgotamento profissional, insônia e sofrimento emocional são frequentes. Dados também mostram que até 20% da categoria já faz uso de medicamentos controlados relacionados à saúde mental.

Outro ponto preocupante é a insegurança enfrentada durante o exercício da profissão. Por atuarem diretamente em áreas vulneráveis, becos, ruas periféricas e comunidades marcadas pela violência, muitas agentes relatam situações de assédio moral, violência verbal e até assédio sexual durante o trabalho. Levantamentos indicam que aproximadamente metade das profissionais já enfrentou algum tipo de violência no exercício da função.

Mesmo diante dessas dificuldades, as ACS e ACE continuam sendo consideradas peças fundamentais da Estratégia Saúde da Família (ESF). São elas que identificam situações de vulnerabilidade social, acompanham gestantes, auxiliam no combate às endemias, promovem campanhas educativas e realizam a ponte entre a população e os serviços de saúde.

Para o SINACSCER, discutir a saúde das mulheres ACS e ACE é também reconhecer a importância dessas profissionais para o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

“O cuidado começa por quem cuida. É preciso garantir condições dignas de trabalho, proteção, valorização profissional e assistência à saúde física e mental dessas mulheres que dedicam suas vidas ao cuidado da população”, destaca o sindicato.


O SINACSCER reforça ainda a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde do trabalhador, especialmente para categorias que atuam diretamente nos territórios e enfrentam diariamente situações de vulnerabilidade social, emocional e física.

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